Considero-me uma trintona média, logo, representativa da Classe... mas posso estar enganada...

23
Jan 09

O post de hoje é inspirado em junk mail. Mas não é um junk mail qualquer. É um mail cujo conteúdo não cheguei a vislumbrar, mas cujo título dá que pensar.

 

"E se soubesse o dia da sua morte?"

 

E se? Bom, suponho que, logo à partida, a resposta se divide em dois cenários: tendo em conta que sou uma mulher de trinta anos, digamos que a minha morte se situava nos próximos dois anos. Era um sapo difícil de engolir. Se fosse daqui a vinte, pensava talvez nos meus netos, que, provavelmente, já não conheceria. Se for daqui a quarenta, só desejo que seja algo do foro cardiovascular e não do oncológico, para ser rápido. Já agora, no sono, para eu não me stressar.

 

Mas voltando atrás, porque esta questão é difícil de equacionar é quando é colocada a curto prazo. Curto demais.

 

O que é que eu faria se soubesse que a minha morte chegaria em, digamos, 6 meses. A não ser que fosse uma questão médica e pudesse ficar de baixa, a primeira coisa que desejaria fazer era deixar de trabalhar. Sempre seriam menos sete horas por dia desperdiçadas.

 

Uma questão que me vem à memória de vez em quando, mesmo não sabendo a hora da morte, é a questão da guarda dos meus filhos. Não sei se é difícil deixar isso por escrito, ou se, no caso de haver contestação à minha "vontade", se algum juíz iria tomar sequer em consideração o que eu havia escrito. Mas era uma coisa que faria rapidamente, averiguar isso e tomar medidas...

 

Depois viria a questão material dos meus filhos, verificar os seguros da casa, eventualmente burlar aí uma seguradora qualquer e fazer um chorudo seguro de vida!!! Lamento, mas o sustento dos meus filhos é mais importante do que os lucros de uma qualquer empresa...

 

Por último, mas nem por isso menos importante, viria então aquilo que eu faria, se pudesse, de um ponto de vista material, em relação à minha "farra". Quereria fazer uma última viagem. Onde, dependeria do orçamento... Veneza? Alasca? Amazónia? Não sei... Há tantos sítios lindíssimos que eu não conheço...

 

Curtiria, com toda a certeza, todos os momentos que me são dados, todos os dias, com as pessoas de que gosto ou amo.

 

E porque é que não fazemos isso sempre? Porque assumimos como um dado adquirido a vivência de muitos e muitos mais dias... Mas não podíamos estar mais errados...

publicado por Trintona(inha) às 23:50
sinto-me: Reflexiva
música: Guns n' Roses - November Rain
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6 comentários:
Também recebi e nem abri.
Quanto ao ultimo parágrafo. Existe um principio contabilistico denominado da continuidade (das empresas). O principio foi feito por homens e á imagem deles.
Mando-te uma musiquita (que adoro) adaptada ao tema.
Beijocas e bom domingo
http://www.youtube.com/watch?v=zyq55YzJY3o
By the last breath of the fourth winds blow
Better raise your ears
The sound of hooves knocks at your door
Lock up your wife and children now
Its time to wield the blade
For now you have got some company

The horsemen are drawing nearer
On the leather steeds they ride
They have come to take your life
On through the dead of night
With the four horsemen ride
Or choose your fate and die

You have been dying since the day
You were born
You know it has all been planned
The quartet of deliverance rides
A sinner once a sinner twice
No need for confession now
Cause now you have got the fight of your life

The horsemen are drawing nearer
On the leather steeds they ride
They have come to take your life
On through the dead of night
With the four horsemen ride
Or choose your fate and die

Time
Has taken its toll on you
The lines that crack your face
Famine
Your body it has torn through
Withered in every place
Pestilence
For what you have had to endure
And what you have put others through
Death
Deliverance for you for sure
There is nothing you can do
So gather round young warriors now
And saddle up your steeds
Killing scores with demon swords
Now is the death of doers of wrong
Swing the judgment hammer down
Safely inside armor blood guts and sweat

The horsemen are drawing nearer
On the leather steeds they ride
They have come to take your life
On through the dead of night
With the four horsemen ride
Or choose your fate and die

executivo_chanfrado a 25 de Janeiro de 2009 às 13:09

Oi

Não conhecia a música, mas li a letra com atenção e é muito interessante, obrigada!

Beijo!

Trintona(inha) a 26 de Janeiro de 2009 às 20:36

Por mim, acho que revelaste as ideias mais ocorrentes perante tal notícia (profecia?).
Quanto à guarda dos filhos, posso dar-te uma ajuda: uma simples declaração assinada (com ou sem reconhecimento da assinatura), a indicar a quem devem os filhos menores serem entregues em caso de morte ou incapacidade do(a) declarante, tem força suficiente para ser executada. Qualquer juíz leva essa declaração em conta. Excepto se o outro progenitor não for o contemplado e conteste a entrega dos menores. Mas mesmo assim, o juíz iria querer saber porque não foi ele o escolhido e, com sorte, a declaração faria mesmo os efeitos pretendidos se se provasse haver razões fortes para a escolha feita.
Já agora, todos devemos ter uma declaração dessas a jeito. Nunca se sabe, e, afinal, estamos a falar dos nossos filhos. Tal documento pode ser feito apenas por um dos progenitores. Desaparecendo os dois e no silêncio de um, vale a declaração de quem a fez, mesmo que seja o primeiro a "desaparecer".
Miguel a 26 de Janeiro de 2009 às 13:29

Olá Miguel

Obrigada pelo esclarecimento. Tenho mesmo que tirar umas horas para tratar disso... Mas o meu problema é mesmo esse...

Mesmo correndo o risco de o "falecido" (leia-se "ex"), por algum acaso do destino, vir a este blog e ler este comentário, vou perguntar-te... Achas que eu podia morrer descansada pensando que quem ia ficar a cuidar dos meus filhos é a pessoa que não sabe a que dias eles têm a actividade extra-curricular desportiva deles? A pessoa que abre um pacote de batatas fritas e duas latas de salsichas e dá a duas crianças como jantar, sem sopa e/ou fruta? A pessoa que me leva a filha para dormir com ele e depois a deixa apenas com a namorada? A pessoa que não mudou a fralda do filho porque não tinha paciência, quando só mo traz dali a duas horas, obviamente todo assado?

Não sei se algum juíz ia aceitar estes motivos. Profissionalmente também haveriam outros tantos...

Beijo

Quem tem filhos menores e sabe que vai morrer, jamais morrerá descansado, fiquem os petizes com quem ficarem. Só podes fazer o possível para tentar deixar esse assunto resolvido. E, feito esse possível, descansada não irás, mas saberás que fizeste o que podias.
Isto porque matar o gajo, ou incapacitá-lo de forma permanente, não será uma opção a considerar, certo?
Miguel a 27 de Janeiro de 2009 às 13:51



Claro que não está nem nunca esteve nos meus planos, nem nos mais alucinados, matar ninguém, quanto mais o pai dos meus filhos, por muito mal que me tenha feito ou seja...

Beijo!
Trintona(inha) a 27 de Janeiro de 2009 às 17:07

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