Considero-me uma trintona média, logo, representativa da Classe... mas posso estar enganada...

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Abr 11

 

 

A propósito desta notícia, ocorreram-me algumas ideias acerca do assunto. Aviso desde já que não será um post feminista mas, provavelmente, alguns trechos serão uma boa aproximação. Mas considero-me uma pessoa imparcial, e, se penso como penso, acreditem, vejo muitas situações completamente injustas.

 

Cresci numa típica família suburbana, onde a mãe cozinhava, limpava, lavava, passava enquanto o pai lia o jornal. Depois tinham um laivos de loucura, quando, em mais de vinte anos de casamento, o meu pai nuna comprou um par de sapatos. A minha mãe ia comprar-lhos, levava-os para casa para ele os experimentar e, se ele não gostasse (surpresa!) ela ia trocá-los à loja. Quando eu conto isto, por vezes, obtenho a seguinte resposta: "com os meus pais também era assim". Cruzes credo.

 

Aos domingos de manhã, a minha mãe ia fazer as compras para a casa e comprar o jornal ao maridão. Como ele era um homem muito permissivo, dava-lhe (acompanhando aquele gesto de olhar faustosamente para o relógio) 30 minutos para completar ambas as tarefas. Ah, e ainda podia beber um cafézinho rápido (amoroso, não é?)!

 

Tenho uma amiga casada (sim, começam a ser a minoria). É o segundo casamento de ambos. Ele tem, do primeiro casamento, dois filhos, que vivem com eles e a filha de ambos. Quando ela passa a tarde comigo, se ele chegar a casa e não houver presunto, queijo, pão e vinho, liga-lhe para o telemóvel, ordenando-lhe que vá para casa porque "não há nada para comer". No frigorífico não cabe nem uma mosca. E ele não tem mãozinhas nem pézinhos para ir comprar. Pois.

 

A actual-do-ex fica a limpar a casa com a mãe e as filhas enquanto o ex vai passear com os seus pais e os (nossos) filhos. Uma vez que ela se meteu à besta, até acho fantástico. Mas não deixa de ser uma exploração. Ainda para mais limpa uma casa que não é dela. Tansa.

 

Experimentem passar numa rua que tenha dois ou três cafés, entre as 19 e as 20h. Aqui na minha zona, estão cheio de homens a beber cervejas, dizer bacoradas e mandar umas graçolas às mulheres que passam: "Ó jóia, vem cá ao ourives". Como se essa ainda não tivesse sido suficientemente ouvida por nós. 

 

Eu pergunto-me muitas vezes: onde andam as mulheres destes homens, enquanto eles bebem no café e chegam a casa bêbados? A cuidar das crianças, dos TPC's, da casa, das roupas, do jantar.

 

E agora, um pensamento verdadeiramente revolucionário: e se em vez de conversarem sobre futebol e gajas (e, já agora, as mulheres também podiam deixar de ver e falar sobre novelas e coscuvilhices) e se se dedicassem à política, à economia e ao governo sério das suas próprias casas... estaríamos nesta situação? Não creio.

 

publicado por Trintona(inha) às 17:43
música: Adele - Rolling in the deep
sinto-me:

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